karras blog
2005/03/18
  Que raio
O que raio se passa com o w.bloggar? No post anterior, a seguir a "desde que comecei o..." devia ter aparecido o link para o Sanzala globa (http://sanzalaglobal.weblog.com.pt), que eu inseri devidamente com a toolbar respectiva, Inserir link. Em vez disso apareceu uma branca, tornando o texto ainda mais esquisito.

Vamos a tentar novamente, se não aparecer nada tenho de informar o Marcelo Cabral.

 
  De volta
Estou no trabalho, ao fim do dia, e já não me apetece fazer mais nada, sobretudo porque entro de férias por uma semana daqui a umas horas. Daí que resolvi colocar um post neste blog que abandonei há uns tempos, desde que comecei o (que diga-se de passagem também tem andado um pouco abandonado).

Pode-se assim dizer que este post é um produto do fastio e da ansiedade. Mas não nos explicaram já que o lazer e o stress são indispensáveis ao trabalho criativo?

Este insonso post serve apenas para demonstrar a diferença entre as condições necessárias e as suficientes...
 
2004/09/03
  Aviso atrasado
Com as minhas desculpas para os eventuais navegadores que tenham vindo aqui parar, este, que foi o meu primeiro blog, foi interrompido e substituído pelo Sanzala Global, alojado no weblog.com.pt.

Durante algum tempo mantive os dois, razão por que existem posts idênticos num e noutro, até que não vi razão para o trabalho a dobrar, e fiquei-me pelo Sanzala Global, que procuro ir actualizando com maior frequência, embora com alguma irregularidade.

Eventualmente, pode ser que venha a haver alguma razão para aqui voltar a postar (que raio de aportuguesamento).
 
2004/04/23
  Tempos Difíceis (II)
Volto ao artigo de João Bénard da Costa, desta vez para abordar os pontos 3. e 4.

A propósito da mágoa de uma amiga sua relativamente a um artigo escrito há um ano (em plena guerra do Iraque) em que se declarava mais próximo dos falcões do que das pombas, e angustiado por se sentir crescentemente afastado da sua família ideológica (estou a esquematizar um pouco, a questão interior de JBC é certamente mais complexa), reafirma a sua posição com a citação da parte do artigo em questão, que termina com a frase "Mas, enquanto me lembrar (...) desse 11 de Setembro, que essas mesmas pombas varreram da memória ou da razão, julgo que sou fiel aos fluxos que outrora recebi e transmiti, ao recusar-me qualquer pensamento, palavra ou obra que me aparte das vítimas desse inominável horror ou que me aproxime dos bárbaros que o cometeram, o pagaram, o apoiaram ou o compreenderam."
Desde essa altura, muita água e muito sangue correu pelo Eufrates. Não vale a pena fazer aqui o historial da ignomínia a que estados democráticos se dedicaram para justificar a guerra. Não, não me estou a esquecer que o regime de Saddam era incomensuravelmente mais ignominioso, e a sua queda é até agora o único aspecto positivo. Mas JBC incorre, na minha opinião, no maior dos equívocos desta guerra, hoje generalizadamente aceite, mesmo nos Estados Unidos: a guerra do Iraque não só não faz parte da guerra contra o terrorismo global tragicamente apresentado a 11 de Setembro de 2001, como constituiu (constitui) um grande desperdício de tempo, recursos e vidas que teriam muito melhor aplicação num combate decidido e mais eficaz a esse mesmo terrorismo, com um âmbito multilateral, não chantageando, dividindo e alienando os aliados naturais (os países democráticos) e incentivando o diálogo com as correntes moderadas e politicamente laicas dos países de maioria islâmica, organizando e investindo nos serviços de informações e segurança e na sua colaboração e troca de informações. Ou seja, o contrário do que foi feito, e continua a fazer, se bem que já com pequenas inflexões, mais ditadas pelas dificuldades criadas e por considerações eleitorais do que por assunção do erro.
O regime de Saddam era terrível, mas, pelos crimes do passado já tinha sido (e continuava a ser) punido, e nas vésperas da guerra já não estava em condições de ameaçar qualquer estado vizinho, estava enfraquecido e não era certamente a prioridade, face ao terrorismo global com o qual não tinha nada a ver. Resultado: hoje sim, o Iraque está assolado pelo terror e constitui uma boa base avançada dos grupos terroristas mais diversos; para além disso, com o desvio de recursos, os talibans voltaram a ter alguma preponderância no Afganistão.
Espanta-me é ter JBC caído no raciocínio dicotómico que Bush decretou, ao pensar que ser-se contra a guerra do Iraque nos "aparte das vítimas desse inominável horror ou que me aproxime dos bárbaros que o cometeram, o pagaram, o apoiaram ou o compreenderam. " Pelo contrário.
 
  Tempos Difíceis (I)
As crónicas de João Bénard da Costa às sextas-feiras no Público são um prazer de que não me privo. Não se trata de concordar ou não com as premissas, os raciocínios ou as conclusões que nelas lemos, mas é sempre um prazer ler alguém que escreve com elegância, erudição e fina ironia, sem concessões a facilitismos. Viajamos as suas viagens, escutamos as conversas que relata, vemos as obras de arte que visita ou revisita, sejam elas pintura, escultura, música, dança, literatura ou cinema. E, embora com grandes intermitências, é um prazer que já tem décadas (vem de antes do 25 de Abril, que faz agora os seus trinta anos), e que por acaso começou pelo cinema, com política pelo meio. Mas essas são outras histórias.

A crónica de hoje intitula-se precisamente Tempos Difíceis, e tem cinco pontos. No primeiro auto-denuncia-se pelo roubo do título a uma crónica recente de António Barreto; como estou a cometer o mesmo delito, tomo a liberdade de o subscrever na íntegra. O quinto é uma referência pessoal onde leio uma excelente sugestão subliminar: voltar ao Museu de Arte Antiga para admirar o "Ecce Homo".

Mas o que me levou a comentar aqui o artigo foram sobretudo os pontos 2., 3. e 4. Tratam de questões distintas (não tanto os dois últimos), mas qualquer delas importante nos tempos (difíceis) que correm.

O ponto 2. trata da magna questão da "acessibilidade" do que se escreve do ponto de vista dos leitores potenciais. Leitores de JBC queixaram-se da dificuldade em compreender a sua escrita (mais especificamente, segundo me pareceu, ao artigo da semana passada, onde falava, citava e comentava as Inconferências de Harvard de e.e. cummings).

Não é uma questão menor, esta. Em princípio, qualquer autor quer-se fazer entender pelos seus leitores. Mas há assuntos e assuntos. Se há temas que podem ser abordados de uma forma mais "acessível" ao grande público, outros há que, mesmo numa perspectiva de divulgação, não conseguem evitar algum grau de complexidade.
Mas a questão não se resume à diferença dos temas abordados. Em primeiro lugar, a simplificação para efeitos pedagógicos ou de divulgação, por meritória que seja, constitui sempre um empobrecimento do tema abordado. Esse empobrecimento (assumido) pode ser maior ou menor, consoante os destinatários. Em segundo lugar, o autor, mesmo sem estar a fazer uma dissertação ou uma exibição da sua erudição, pode não querer abdicar do seu método e do seu estilo. E será que deve?

JBC dá a resposta voltando a e.e. cummings e a uma história anedótica (e estamos nos inícios da década de 50 do século passado) sobre as regras a respeitar na comunicação (no caso uma revista) por forma a satisfazer esse ente informe que se chama O Público. E mostra como essas regras se expandiram até abarcarem, hoje em dia, a quase totalidade dos meios de comunicação. E também como elas se ligam (causa ou efeito?) ao generalizado analfabetismo funcional, ou iliteracia. E independentemente dos argumentos a favor ou contra, reivindica o seu direito inalienável a, enquanto puder, continuar a escrever como gosta.

Não tenho a pretensão de compreender todas as referências, inferências, parábolas ou metáforas que emanam dos artigos de JBC (e também de outros autores, claro), mas encaro esse facto como um desafio a que procuro responder. Se não sei ou não compreendo, mas acho que me interessa, vou procurar (num livro, numa enciclopédia, na internet, ou a um amigo ou conhecido). Por exemplo, para quem acher que houve gralha do autor ou do jornal na grafia do nome de cummings, ficará sempre um pouco mais rico se investigar um pouco.
 
2004/03/11
  Terrorismo e nacionalismo
Os cobardes ataques terroristas desta manhã nas estações ferroviárias de Madrid, que, pelos últimos números a que tive acesso, mataram mais de 170 pessoas e feriram, estropiaram e traumatizaram milhares de outras, mostram-nos mais uma vez que o terrorismo é uma realidade terrível e complexa, e que o seu combate não se compadece, nem com atitudes timoratas e eventualmente desculpabilizantes ou atenuantes, nem com atitudes maximalistas que assentem apenas na força bruta e na limitação securitária dos direitos democráticos.

Embora haja ainda indefinição quanto à autoria dos atentados, as maiores probabilidades apontam sem dúvida para a ETA, e neste caso (não esqueçamos a viatura com centenas de quilos de explosivos que se dirigia a Madrid e foi interceptada pela polícia espanhola a semana passada) ao que parece, iniciando uma fase de maior intensidade dos atentados (os de hoje, mesmo sem se conhecer ainda toda a sua extensão, já são os maiores de sempre), o que não pode deixar de questionar a política de combate até agora seguida pelo Estado espanhol. Claro que também não são iniciativas como as de Carod Rovira, indo conversar com os etarras à margem dos órgãos do Estado, que devem ser prosseguidas - tratou-se apenas do mesmo voluntarismo, mas de sinal contrário ao prosseguido pelo governo central. E a decisão de ilegalizar e desmantelar o Herri Batasuna também deve ser questionada, mesmo que não haja dúvidas sobre as suas ligações à ETA: para todos os efeitos era uma organização legal, com uma base eleitoral significativa. Não sendo nem de perto nem de longe um especialista em luta anti-terrorista, parece-me que um interlocutor é melhor que nenhum. Sendo cada caso uma singularidade, a experiência da Irlanda do Norte devia ensinar alguma coisa, embora mesmo aí a situação ainda não estar esclarecida e estável.

Se nenhum terrorismo tem desculpa, o da ETA ainda terá menos que qualquer outro. Se o seu objectivo é a independência do país basco, este situa-se dentro das fronteiras de países democráticos (a Espanha e a França), onde podem livremente exprimir as suas ideias e lutar por aquilo em que acreditam (como o fazem, aliás, vários partidos e organizações nacionalistas). Além disso, o seu grau de violência em democracia ultrapassou largamente o dos tempos franquistas.
 
2004/02/04
 
Bush: ameaça global mesmo na política internaQue G.W. Bush representava uma ameaça global pela sua irresponsável e imperial política internacional, lidando mal com uma ameaça real (o terrorismo internacional), era já facto conhecido de muita gente. A novidade é que essa ameaça se faz sentir mesmo quando Bush lida com a política interna dos Estados Unidos. Tal sucede com os sucessivos orçamentos desde a sua tomada de posse, em que conseguiu a proeza de transformar o enorme superávite legado por Clinton numa sucessão de déficites que os americanos não viam desde L.B. Johnsson. Para não dar pretextos aos nossos guardiães sempre prontos a "responder" com o habitual argumento do anti-americanismo, demos a palavra a eminentes americanos escrevendo em insuspeitos jornais americanos.

Por exemplo, Nicholas D. Kristof, no New York Times de hoje.
"Se formos sérios na oposição às ameaças ao nosso modo de vida, não temos de as procurar nas cavernas do leste do Afganistão. Podemos encontrar uma séria ameaça na ala oeste da Casa Branca, onde a administração Bush desenha a sua política fiscal." "Se o senhor Bush fosse um conservador genuíno, ele cortaria nos impostos, mas cortaria igualmente na despesa para equilibrar. Se ele fosse um honesto liberal, aumentaria a despesa, assim como os impostos. Em vez disso, o presidente está-nos a convidar para uma noite de farra na cidade e deixando-nos - e aos nossos filhos - com a conta para pagar." Após citar os exemplos latino-americano e japonês, que cobriu como jornalista e cronista, Kristof recorda um dos discursos de campanha de Bush em 2000, em que este fala do uso a dar ao superavite de Clinton: "O meu plano é reservar uma parte do excedente projectado, um pouco mais de um milhão de milhões dos quatro milhões de milhões, e dá-la às pessoas que pagam as contas", para concluír que sob a administração Bush os excedentes simplesmente se evaporaram. E recorda que o Fundo Monetário Internacional é que avisou que os déficites orçamental e externo dos Estados Unidos são uma ameaça à economia global.
Só para concluír, Kristof acaba por reconhecer que tem saudades de Clinton, apesar das suas notórias falhas de carácter. Citação final: "O senhor Clinton mentiu sobre sexo e era fraco em outros aspectos, mas estava disposto a dizer à América a desagradável verdade sobre o comércio externo e sobre os orçamentos. Só desejo que o senhor Bush e os seus concorrentes democratas sejam tão honestos com o povo americano como o senhor Clinton foi."
 
2004/01/23
  Porque sim à greve geral da função pública de hoje
Hoje, eu e mais uns milhares de funcionários da Administração Pública portuguesa estamos em greve.
Por todas as razões invocadas pelos sindicatos e centrais sindicais, embora haja muitas diferenças na forma de encarar as principais matérias objecto de contestação (as revisões parciais de actualização dos salários, as alterações ao regime de pensões, a as medidas avulsas, descoordenadas e de efeitos perversos a que o governo vem chamando reforma da Administração Pública).
A revisão salarial, ao apresentar um aumento apenas para os funcionários que auferem ordenados até um certo limite (aumento insignificante, face às perdas acumuladas de poder de compra no passado, e também, com elevada probabilidade, face à taxa de inflação que efectivamente se irá verificar em 2004, que não será de 2.0% como o governo "estabeleceu - mesmo o Banco de Portugal, que tem dado cobertura à política governamental, aponta 3.0%), é apresentada pelo governo como uma medida de justiça social. É a demagogia rasteira, pelo segundo ano consecutivo, para tentar apresentar a desvalorização e desqualificação da AP que é uma das obsessões deste governo desde o início como uma medida justa. O aumento possível dos vencimentos da função pública deve ser visto no enquadramento mais geral do Orçamento do Estado, e não no "montante disponível para aumentos" de que fala a Ministra das Finanças. Houvesse uma reforma efectiva da AP, com racionalização planeada da gestão dos serviços, do seu funcionamento, do seu aprovisionamento em bens e serviços, da sua dotação dos meios disponibilizados pelas novas tecnologias, da formação contínua dos funcionários, e eventualmente, se necessário, da fusão ou extinção de serviços; houvesse uma vontade política para combater o verdadeiro escândalo nacional que constitui a gigantesca evasão e fraude fiscais; houvesse uma valorização da administração e dos seus funcionários, e não a sua apresentação como uns sanguessugas que nada fazem e que ainda por cima absorvem, só em ordenados e salários, uma percentagem elevada do PIB, como se a essa "absorção"não correspondesse uma contrapartida em serviços prestados aos cidadãos e à economia; houvesse isto tudo e mais seriedade da parte do governo, e esse "montante disponível para aumentos" seria, mesmo tendo em conta a difícil situação económica, maior e para todos os funcionários. E quanto à responsabilidade do governo na difícil situação económica muito mais haveria a dizer.
Quanto à alteração do regime de aposentação dos funcionários públicos, é um princípio com o qual estou de acordo, o da aproximação gradual ao regime geral dos restantes trabalhadores. Mas não é isso que se está a passar, o governo adoptou a fórmula da guerra aberta, mudando tudo de uma vez e com aplicação imediata, em vez de a fasear ao longo de um certo período, assim respeitando as expectativas de quem trabalha na função pública há dezenas de anos.
E por fim, a famosa reforma da Administração Pública, que paira por cima destas e doutras questões. É bom que se saiba que não existe, que eu veja, qualquer reforma da AP. Pelo menos no que se deveria entender por reforma, com mudanças para melhor e não apenas mudanças para mudar. O que existem são medidas desgarradas, ao sabor do momento e dos interesses privados que os gestores da coisa pública acarinham com amor. A ausência de uma visão estratégica de reforma da AP lançou os serviços públicos numa autêntica situação de ignorância e ansiedade, pois não se sabe qual a solução mágica que vai surgir da cartola do governo, não se sabe se vale a pena continuar com este ou aquele projecto, pois amanhã poderá saír uma nova ideia brilhante que o inviabilizará, sendo os esforços e despesas com ele efectuados levados à conta do défice.
A questão fundamental, e que parece ser ignorada pela maioria dos analistas, é a seguinte: uma Administração Pública é o espelho de uma certa concepção do Estado (dos seus objectivos, das suas funções, da sua filosofia). E por trás de algumas reformas avulsas parece pairar apenas uma intenção de mudança do tipo de Estado que temos e fundado, na linha do Estado Social eiropeu, pela Constituição de 1975.
 
2003/11/26
  Asneiras unilaterais, responsabilidades multilaterais
Interessante e previsível a lenta mas segura inflexão da administração Bush a respeito do Iraque. Após uma das mais escandalosas manipulações de informação a nível internacional, com "provas" seguras de tudo o que afirmavam, com um desprezo total por todos, países e pessoas, que tiveram a ousadia de pensar pela própria cabeça, assim como pelo direito e pelas instituições internacionais, recorrendo à chantagem ou ao pagamento de chorudos dólares para garantir apoios, usando e abusando do seu estatuto de única hiper-potência a nível mundial, o resultado é o que se vê. No Iraque o regime era dos mais odiosos, mas nele não penetravam as correntes terroristas islamistas fundamentalistas e teocráticas. Hoje tudo quanto é grupo terrorista se desloca para lá, pois em termos de insegurança e terrorismo é o que mais se aproxima de um verdadeiro mercado livre, à mercê dos mais industriosos e empreendedores, e com largas franjas de população descontente com a ocupação do seu país e portanto preparada e receptiva para ser recrutada. Saddam continua a monte (tal como Ben Laden e o mulah Omar). A Turquia, o mais laico dos países de maioria muçulmana, sofre com o terrorismo global e vê afectado o delicado equilíbrio entre as correntes laicas e democráticas e as mais radicais. Quando Bush diz que o mundo ficou mais seguro (após a ocupação de Bagdad) tal soou como a mais amarga das ironias: é que nem para ele ficou mais seguro, quanto mais para "o mundo"!
A grande potência apostou tudo na invasão de um país que, como hoje é reconhecido, não só não representava um perigo para os Estados Unidos como não teve nada a ver com o 11 de Setembro de 2001. E acreditou (será que acreditou? é que a ingenuidade e o auto-convencimento têm limites) que seriam recebidos como libertadores, e a democracia seguiria logo atrás dos tanques, e os iraquianos seriam mais um povo eternamente gratos aos EUA. Lágrimas de emoção varreram as faces dos crédulos, lembrando-se de outras libertações e não atentando nas diferenças entre elas.
Seja como for, o Iraque virou um pantanal, o famoso "roadmap" para a Palestina está esquecido num canto, o terrorismo continua a levantar a cabeça e a fazer vítimas inocentes. E ainda por cima 2004 é ano de eleições presidenciais nos EUA, pelo que falar para um eleitorado a contar mortos e feridos não é a melhor das perspectivas. Entra o plano B: vamos voltar a dar a impressão de que somos multilaterais, meter mais países ao barulho, desde que nos mantenhamos no controlo da situação. Não há tempo para fazer constiuições e preparar a transição democrática, passa-se já no próximo ano as responsabilidades governativas para os iraquianos, ou pelo menos que assim pareça. E, milagre dos milagres, as nossas forças transmutam-se de ocupantes a forças convidadas! Um verdadeiro ovo de Colombo. E os outros países não têm outro remédio senão alinhar, porque mesmo que tenham sido contra a guerra, a salsada que nós criámos agora já os afecta mesmo!
Ao longo da história muitas vezes muitos países ou povos tiveram de aceitar factos consumados. Aceitá-los e trabalhar a partir daí, quer porque não são reversíveis, quer porque a reversibilidade acarreta riscos muito maiores. É o caso. Mas não deixa de ser uma vergonha, e que seja sobretudo uma lição.
 
"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam." (Arnold Toynbee)

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